Igualdade e fraternidade

A grandiosa festa de encerramento do ano eclesiástico da mega-igreja sempre era um evento aguardado com ansiedade.
As atrações especiais – algumas internacionais -, o local do evento – sempre num hotel cinco estrelas e a qualidade do serviço de buffet eram motivo de orgulho da diretoria da mega-igreja.
Esse ano foi o próprio pastor Premium quem trouxe a grande novidade: como reconhecimento pelo excelente desempenho – sabe-se lá o que isso o queria dizer – da mega-igreja no ùltimo ano, o staff gerencial, em sua ùltima reunião, decidiu que os pastores categoria Gold, Platinum e Silver iriam passar uma semana no Viña Del Mar Resort, com todas as despesas pagas.
Gritos efusivos de alegria saudaram a comunicação.
Contudo, nos dias seguintes, a decisão acabou causando algum mal-estar entre os líderes da mega-igreja.
Um dos motivos é que a idéia inicial era enviar sómente os pastores, sem acompanhantes.
O outro motivo é que, excetuando-se os pastores das categorias citadas, não se cogitou de oferecer nenhum tipo de prêmio aos demais obreiros – categorias Advanced, Premier, Master e outras menos cotadas.
A primeira reação organizada surgiu das esposas dos pastores, tanto aquelas cujos conjugues haviam sido contemplados como dos esquecidos.
A princípio a diretoria adotou a tática de ignorar os descontentes, usando até mesmo o púlpito para um “puxão de orelhas”, com exortações direcionadas “para aquelas ovelhas rebeldes que insistem em não se submeter ao senhorio da liderança pastoral, etc, etc.”.
Mas bastou uma das esposas ameaçar levar o caso a um desses programas de TV que fazem da exploração de escândalos sua razão de existir para que surgissem propostas conciliadoras.
Assim, numa reunião a portas fechadas entre as representantes e o alto escalão da mega-igreja, algumas mudanças ocorreram.
A primeira é que os pastores poderiam levar a esposa e filhos na viagem.
No entanto, alegando que tal decisão inviabilizaria a ida para o Viña Del Mar Resort, o destino passaria a ser Campos do Jordão-SP.
E numa segunda decisão, foi decidido que os pastores não incluídos nas categorias agraciadas (Gold, Platinum e Silver), mas que tivessem obtido avaliação nível 3 na última AAP (Annual Assessment Performance) poderiam acompanhá-los.
Um sorriso amarelo surgiu nos lábios do staff ao ouvir as decisões, proferidas pelo pastor Premium durante o jantar especialmente realizado para esse fim, com a presença de todas os 216 pastores e suas famílias.
Após a comunicação, o pastor Premium tomou a palavra e “chicoteou” os insurgentes, trazendo uma mensagem algo confusa, mas entremeada de expressões como “rebeldes”, “filhos da ira”, “desestabilizadores da paz”, “bodes” e por aí vai.
O passeio a Campos do Jordão? Bem, ele ocorreu, mas choveu o tempo todo…

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