Rede cheia

A estratégia de atrair – sabe-se lá como – as “celebridades” para a Mega-Igreja se revelaria compensadora.
Após o primeiro mês com a presença dos novos simpatizantes, era visível o destaque que a congregação ganhara na mídia.
Revistas de fofocas, dessas que entopem a recepção de consultórios, como a Fuças e sua maior concorrente, a Ventas, dedicavam capa e grandes matérias nas quais todos elogiavam a Mega-Igreja.
“Lá eu me sinto bem”, declarava um sorridente Marcelinho Amazonense, com seu reluzente dente de ouro em destaque.
“Eu gosto mesmo do momento de louvor! Eu me acabo de tanto pular”, revela a Mulher Amendoeira, com uma micro saia.
“Eu gosto do povão, minha gente”, quem garante, sorridente, é Tião Besta-Fera, que responde a vinte inquéritos por tráfico de drogas, armas, remédios, escravos, madeiras, mercadorias falsificadas, orgãos humanos, peles de animais, automóveis e outros crimes.
Para o pastor Premium, a vida pregressa de suas novas ovelhas era o de menos.
Pastor Platinum comentava surpreso: “Parece que o Marcelinho Amazonense fritou vivo um cachorro que ficava latindo na casa do seu vizinho”.
“Besteira, Platinum, deixe de dar ouvidos a fofoqueiros”, repreendeu o líder máximo da Mega-Igreja.
“Basta olhar para para esse homem e dá para ver que ele não seria capaz disso”, diz, apontando para a foto de capa da Fuças.
Nela, Marcelinho Amazonense, de olhos injetados e esbugalhados, encara a câmera, enquanto sorri de forma ameaçadora, exibindo o dente incisivo de ouro.
“É, pode ser…”, murmura Platinum.

Publicado a partir do BlackBerry para o WordPress.

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